Câmara na luta antimanicomial

Na Semana da Luta Antimanicomial celebrada no dia 18 de maio, a Câmara de Montes Claros promoveu nesta quinta-feira (16/5), audiência pública para discutir sobre o assunto. O intuito do evento é evitar a volta de  manicômio e métodos abusivos contra pessoas que sofrem transtornos mentais. O evento foi realizado a pedido do Vereador Júnior Martins (Cidadania).

Montes Claros possui três Centros de Atenção Psicossocial (Caps) – um para atender pacientes com transtornos mentais, outro para dependentes alcoólicos/drogas e o terceiro Caps é voltado para crianças. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, mensalmente, os três Caps, atendem 3.200 pessoas.

O Movimento Antimanicomial (luta antimanicomial), é um processo organizado de transformação dos serviços psiquiátricos (antipsiquiatria), derivado de uma série de eventos políticos globais. De acordo com Júnior Martins, a audiência foi para buscar soluções e proporcionar tratamento digno e humanitário aos usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Segundo o membro do Conselho Municipal de Saúde, Joaquim Francisco, o sistema de saúde mental avançou muito nos últimos anos, especialmente com o fim dos manicômios, no caso de Montes Claros com o fechamento do Prontomente. Porém, segundo Joaquim, algumas políticas públicas voltadas para o assunto estão regredindo como o retorno de uso de aparelhos eletrochoques na cabeça de pacientes com problemas mentais.

Durante o evento foi apresentado algumas soluções para atender pacientes com problemas mentais, como a criação de um Hospital Psiquiátrico com atendimento 24h,  para que possa atender não somente pacientes em crise, mas também pessoas que possuem outros problemas de saúde, como gestantes (com problemas mentais) e que para as crianças sejam disponibilizadas acompanhamento pediátrico.

A secretária de Saúde, Dulce Pimenta, ressaltou que só o município não consegue custear sozinho esses tipos de setores e que infelizmente a cidade não Caps que funcione 24h. “Os familiares podem acionar a justiça e pedir a internação desse indivíduo, nesse caso a responsabilidade torna do município. Como não temos local para isso, precisamos alocar funcionários da saúde e alugar um imóvel para receber estes pacientes. Estamos aguardando o processo licitatório para ampliar os Caps da cidade”, finalizou.

INDEPENDÊNCIA

“As famílias ficam desesperadas quando ver um familiar em crise. Não sabem o que fazer, pois isso, muitos procuram internamento sem qualquer tipo de tratamento voltado para a situação. Este é um dos motivos para o aumento de suicídio em nossa cidade. Paciente com transtorno mental é capaz de executar qualquer tarefa, inclusive trabalhar e buscar sua independência”, afirmou Rosângela da Silveira, clínica institucional dos Serviços de Saúde Mental.

 

Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Montes Claros