Comissão denuncia problemas na saúde de Montes Claros

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Vereadores de Montes Claros apresentaram os problemas referentes à saúde e pediram soluções, durante Reunião Ordinária da Casa. Os destaques apontados pela Comissão de Saúde da Casa Legislativa vão desde a falta de médicos em PSFs, à dificuldade de conseguir exames e cirurgias, que têm preocupado a comunidade.

Dr. Marlon (PTC) desafiou vereadores a tentar uma cirurgia pelo SUS, assegurando que não conseguiriam com menos de um ano. O parlamentar que é presidente da Comissão também fez outras denúncias: “na Estratégia Saúde da Família, do bairro Clarice Athayde, há dois meses está sem médico e quando você questiona, a secretaria garante que todas as unidades têm médicos”, denunciou Marlon. Outra reclamação recaiu sobre os exames. Cada PSF tem uma cota, que não está sendo disponibilizada: “nem exame para checar colesterol e triglicerídeos se consegue. Isso não pode acontecer”, finalizou.

Idelfonso da Saúde (MDB) denunciou a falta de médico na comunidade de Riacho do Meio: “o que atendia na localidade saiu e o trabalho de assistência está sendo feito pelo enfermeiro e técnico. Isso não deveria acontecer”, destacou Idelfonso.

Outro Distrito que, segundo Wilton Dias (PHS), está sem equipe completa é Santa Rosa de Lima: “falta profissional e os moradores cobram uma posição da prefeitura. É nossa obrigação fiscalizar e fazer essa cobrança”, disse Wilton.

Dr. Valdivino (MDB) garantiu que existem mais de 20 mil exames ‘amontoados’. Cobrou agilidade por parte da secretaria de saúde e alertou sobre outro sério problema: o da dengue: “só no Norte de Minas são oito mil casos. Em Montes Claros são 100 novos casos por dia. É preciso uma intervenção rápida e, principalmente a conscientização e participação da população na luta contra o aedes aegypti”, disse Valdivino.

Maria Helena Lopes (PPL) também pediu explicação à secretária de saúde que estaria criando regras que só prejudicam a população: “os moradores de Claraval precisam buscar remédio em Canto do Engenho ou São Geraldo II. A secretaria tem que facilitar a vida do paciente, não dificultar ainda mais”. Outra grande demanda é a necessidade da Guarda Municipal nos PSFS que atendem à noite; “temos que garantir a segurança não só dos servidores, mas também de toda a população”.

O que diz a prefeitura

Sobre a demora para se conseguir uma cirurgia a secretária esclareceu que a partir de outubro de 2018 o acesso às cirurgias eletivas são realizadas através da chamada “Consulta W”: “esta consulta foi idealizada para caracterizar que o usuário com necessidade de realizar determinada cirurgia seja consultado por quem de fato fará a cirurgia. O que não acontecia antes, pois o usuário passava por vários profissionais, mas que não faziam cirurgias. No entanto, para evitar “fura filas”, foi criada a fila única, em consonância com o Ministério Público da Coordenadoria do CAO SAÚDE, para promover o acesso igualitário a todos. O que vem acontecendo é que muitos que estavam na fila há mais de dois anos já conseguiram o acesso. Como exemplo é a cirurgia de catarata, que Montes Claros não tem mais aquelas filas enormes. O segundo fator que ainda influencia muito na demora das cirurgias eletivas é o grande volume de cirurgias de urgência que ocupam os blocos de cirurgia dos hospitais todos os dias, suspendendo ou cancelando as cirurgias eletivas agendadas. O terceiro fator é a urgente e necessária revisão da rede resposta de toda a macrorregião, pois Montes Claros ainda recebe usuários de outros municípios para cirurgias eletivas que poderiam ser realizadas nos próprios municípios de origem.

Sobre a falta de médico no Estratégia Saúde da Família do bairro Clarice, a secretária informou que a médica que trabalhava no local, passou na residência médica, tendo solicitado a rescisão do contrato: “ainda não conseguimos substituição, mas já foi solicitado. Os municípios da nossa região estão com dificuldade para contratação deste profissional”, esclareceu Dulce.

Questionada sobre a dificuldade para se conseguir exames simples a secretária garantiu que o tempo médio de exames laboratoriais é de três meses: “há um limite de recursos financeiros para esses procedimentos, mas a Prefeitura acresce mais de R$50.000,00 por mês para distribuição entre as ESF”, informou.

Sobre Santa Rosa de Lima que não está com equipe completa, Dulce Pimenta disse que dois dos agentes estão de licença maternidade e os demais estão dividindo as áreas descobertas. Disse também que falta agente em Vista Alegre, pois no processo seletivo (que é a maneira legal de fazer admissão destes profissionais), nenhum dos candidatos passou nos exames.

A demora para liberar resultados de exames e a denúncia de que são quase 20 mil exames amontoados, a secretária garantiu que a liberação de resultados de exames está dentro da normalidade. Devendo observar que alguns exames solicitados, pela própria natureza de realização, são de entrega mais longa. Os resultados de exames são colhidos pelos próprios usuários. Com a implantação do sistema “Mais Saúde Digital” em breve os resultados serão destinados diretamente às unidades de saúde.

Sobre a reclamação dos moradores de Claraval que precisam buscar remédio em Canto do Engenho ou São Geraldo II, Dulce esclareceu que não houve mudança promovida diretamente por ela, mas sim um ajuste na distribuição de alguns medicamentos especiais, que requerem a presença do farmacêutico: “antibióticos e psicotrópicos ainda não são dispensados nessa localidade, porém todos os outros são. As farmácias do Major Prates e Maracanã já vem servindo de apoio a estas comunidades”, esclareceu Dulce.

A secretária informou que está fazendo gestão para contratação de mais farmacêuticos, mas falta alocar recursos financeiros. Ela informou ainda que a Prefeitura de Montes Claros ainda amarga prejuízos por conta da retenção de recursos por parte do Governo de Minas, sem previsão de regularização.

Sobre a necessidade e o requerimento enviado a secretaria pedindo guardas municipais nos PSFs que atendem à noite, Dulce Pimenta informou que solicitou o serviço, e está aguardando retorno. Informou também que são efetuados contatos com a Polícia Militar para monitoramento de ronda, pois os três pontos de atendimento noturno estão próximos aos postos da PM.

A falta de médico em Riacho do Meio ainda está sendo apurado pela secretaria de saúde.

Assessoria de Comunicação
Câmara Municipal de Montes Claros